Cabeça de criança: como aperfeiçoar essa máquina

Postado em 17/03/2018

Cabeça de criança: como aperfeiçoar essa máquina

Independentemente da carga genética, o cérebro humano tem de ser constantemente desafiado para que mantenha e até melhore as suas funções cognitivas (como memória, percepção, raciocínio lógico-matemático, linguagem, atenção, aprendizado...). Mas, como é na infância que se desenvolvem as bases da inteligência, exercitar os neurônios desde cedo é tão importante para a garotada quanto ir à escola, dormir cedo e obedecer aos pais.

Assim que a criança nasce, os estímulos têm de ocorrer da forma mais variada possível. Desde o simples toque no bebê recém-nascido até brincadeiras e atividades mais complexas e desafiadoras a partir dos seis ou sete anos. É através dos estímulos sensoriais que são formadas as chamadas sinapses - conexões que favorecem a comunicação entre os neurônios. Quanto mais sinapses se formarem, melhor serão as capacidades cognitivas e maior será o aprendizado ao longo da vida.

"A capacidade de compreensão dos bebês é muito maior do que a maioria dos pais pode julgar", alerta o neuropediatra Luiz Celso Pereira Vilanova, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os adultos também não sabem que têm um papel fundamental para o desenvolvimento do cérebro de seus filhos. "Especialmente nos primeiros seis meses de vida, o vínculo afetivo favorece conexões cerebrais do bebê que irão valer para a vida inteira", garante a pediatra Ana Maria de Ulhôa Escobar, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Uma alimentação balanceada e boas condições de saúde também são essenciais para o desenvolvimento da criança como um todo. A melhora desses três fatores é responsável pelo aumento do quociente de inteligência (QI) verificado a cada nova geração.

PRINCIPAIS ÁREAS DO CÉREBRO ESTIMULADAS

LOBO OCCIPITAL - Responsável pelo processamento da informação visual. Recebe estímulos de brinquedos e objetos coloridos, ilustrações, videogame e televisão;

LOBO PARIETAL - Relacionado às sensações táteis e habilidades matemáticas e espaciais. Estimulado pelas brincadeiras, brinquedos e música;

LOBO TEMPORAL - Encarregado do processamento dos sons, da compreensão da linguagem e do gerenciamento da memória. Estimulado pela leitura de histórias, música, instrumentos musicais, brinquedos e pelo aprendizado de idiomas;

LOBO FRONTAL - Responsável pelo pensamento, planejamento, comportamento, emoção e movimentos voluntários. Estimulado pela música, leitura, brincadeiras, videogame, movimentos corporais (como a dança);

LOBO TEMPORAL

Além disso, os pais e cuidadores devem estar sempre interagindo com a garotada, brincando e conversando desde os primeiros dias de vida. O toque, por exemplo, estimula a função cerebral responsável pela sensibilidade, a primeira a se desenvolver, assim como a visual e a motora. Para incentivar as funções visuais, a criança precisa manter contato com brinquedos e objetos de cores vivas e contrastantes. As motoras são estimuladas por meio de brincadeiras.

Mas há momentos em que o filho deve soltar a imaginação sozinho. "São oportunidades para desenvolver o pensamento mágico que os adultos não têm", afirma a pediatra Ana Maria de Ulhôa Escobar.

Para o neuropediatra Mauro Muszkat, da Unifesp, os pais devem considerar o gosto da criança pela atividade proposta. "Ela também não pode estar com fome ou sono, por exemplo. Caso contrário, ficará irritada e o estímulo não irá funcionar", afirma.

Confira, a seguir, algumas formas de estimular o desenvolvimento do cérebro de seus filhos:

Segundo o neuropediatra Luiz Celso Pereira Vilanova, "quanto melhor é o nível educacional do pai e da mãe (ou dos cuidadores), mais estimulada a criança será".

MÚSICA PARA OS NEURÔNIOS

Esse é um dos estímulos mais importantes para o desenvolvimento da criança, por envolver diversas áreas cerebrais, especialmente nos primeiros dois anos de vida. "Os sons, ritmos e tudo o que envolve o universo musical facilitam a organização visual e de espaço, o entendimento, o raciocínio lógico e a expressão", afirma o neuropediatra Mauro Muszkat.

O especialista alerta, porém, que, recebidos de forma passiva, os impactos da música são relativos. Por isso, é importante incentivar a criança a cantar, dançar e, a partir dos três anos, se ela manifestar interesse, aprender a tocar instrumentos musicais. Os pais devem participar dessas atividades ativamente.

Quanto a que tipo de música incentivar os filhos a ouvir, isso é uma questão pessoal. Mas sem dúvida alguns ritmos são mais saudáveis. A simples audição de música clássica, por exemplo, pode não ser tão relevante ao desenvolvimento e aperfeiçoamento do cérebro infantil, como sugerem alguns estudos, mas certamente ajudará a criança a ser mais tranquila.

 

 

 

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